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Doença de Paget (Osteíte Deformante)

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     A doença de Paget é um distúrbio crônico do esqueleto, no qual áreas de ossos apresentam um crescimento anormal, aumentam de tamanho e tornam-se mais frágeis. O distúrbio pode afetar qualquer osso. No entanto, os ossos mais comumente atingidos são: os ossos da pelve, o fêmur, os ossos do crânio, a tíbia, os ossos da coluna vertebral (vértebras), as clavículas e o úmero.

     Esta doença originalmente descrita por Sir James Paget em 1877, caracteriza-se pela instalação, em época tardia da vida,de uma atividade anárquica de osteoclastos e osteoblastos, que leva à distorção e enfraquecimento ósseo.

ETIOLOGIA

     A causa é desconhecida, porém a distribuição errática da moléstia, confirmada em numerosas pesquisas, pode ser compatível com uma influência do meio ambiente, sobreposta a susceptibilidade genética. A prevalência de lesões radiográficas vai desde quase 8% dos pacientes acima de 50 anos em Lancashire, Reino Unido, a apenas 1% na Geórgia, Estados Unidos, e 0,4% na Suécia. Em 14% dos relatos foi confirmado histórico familiar,nestes, casos esporádicos (57 anos).

     Além disso, a ultramicroscopia mostra inclusões nucleares que lembram paramxovirus. Em alguns pacientes também foram encontrados antígenos de vírus sincicial respiratório e paramixovirus.

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS

     A doença de Paget aumenta em prevalência com a idade. Pode se originar num único osso, mas torna-se-á poliostóstico em quase 90% dos casos. Os principais ossos envolvidos (em ordem decrescente de freqüência) são as vértebras lombares, sacro, crânio, fêmur, tíbia, clavícula, úmero o costelas. Quando o crânio é afetado, o calvário é consideravelmente mais envolvido do que o esqueleto facial, porém a doença mandibular é rara.

     Os ossos se espessam, porém se enfraquecem, fazendo com que ossos longos se destorçam sob o peso do corpo. Em doença da abóbada craniana o osso torna-se grandemente espessado e aumentado; a diferenciação entre as placas interna e externa é progressivamente perdida e o espaço do diploé torna-se obliterado. O envolvimento dos ossos temporais pode levar à surdez; os ramos ópticos e 8° podem ser comprometidos.

     A instalação na maxila provoca um aumento do terço central da face, até se sobrepor ao terço inferior. Os rebordos alveolares tornam-se grosseiramente espessados, arredondados e amplos, com os dentes espaçados. O aumento de vascularização nos ossos atingidos pode fazer com que a pele suprajacente se aqueça; a dor óssea poderá ser severa em estágio ativo.

     Radiograficamente a doença da abóbada craniana mostra áreas de radiolucência irregulares, porém bem definidas (osteoporose circunscrita) nos estados iniciais. Mais tarde, áreas de esclerose se estendem para produzir a típicas opacidades em flocos de algodão.

     Nos maxilares pedem o padrão trabecular e áreas de radiolucência são substituídas pela imagem em floco de algodão. Nos estágios iniciais perde-se a lâmina dura e a reabsorção periapical pode imitar infecção. Mais tarde surge, tipicamente, uma ampla hipercementose.

     Do ponto de vista microscópico predomina, de inicio, a atividade osteoclástica. Os padrões festonados de reabsorção ficam marcados por linhas irregulares de reversão, basófilas, o que cria um padrão em mosaico ou de "quebra-cabeça", ao se seguir a aposição. Nos estágios ativos o osso é envolto por osteoblastos e osteoclastos numerosos. Estes são anormalmente grandes, com muitos núcleos. Mais tarde as células ósseas tornam-se menos numerosas, porem persiste o padrão das linhas de reversão e o quadro de "quebra-cabeça". A medula hematopoética é substituída por tecido conjuntivo frouxo, altamente vascular e quando a doença se alastra, pode resultar hematopoese extra medular.

     Lesões por células gigantes resultam, com relativa freqüência, em áreas de doença de Paget no crânio ou esqueleto facial. Sua aparência, comportamento e resposta ao tratamento são similares àqueles dos granulomas centrais de células gigantes. O sarcoma, na doença de Paget, tem uma incidência em 0,1 a 1%, porém existem raros casos não autenticados que envolvam os maxilares. Tal como em tumores de células gigantes, os sarcomas se desenvolvem mais tarde na vida, em pessoas de resto normais.

CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS E PROGNÓSTICO

     Os níveis sanguíneos de cálcio e fosfato são tipicamente normais, porém os níveis de fosfotase alcalina, que são maiores de que em qualquer outro tipo de afecção, podem alcançar 700iu/l. Os níveis de hidroxiprolina urinária se elevam durante a fase ativa de reabsorção da doença. Pode se desenvolver hipercalcemia, particularmente em pacientes imobilizados ao leito.

     A doença de Paget usualmente se mostra ativa por um período de 3 a 5 anos, quando pode se tornar virtualmente estática. A dor óssea eventualmente se mostre severa, mas o alastramento mórbido poderá provocar colapso cardíaco devido a alta vascularidade de muitos ossos, o que provoca um shunt artérico-venoso. As complicações bucais incluem dificuldade com dentaduras, sangramento ou infecção do osso, particularmente como resultado de tentativa de extração de dentes com hipercementose.

     No geral o tratamento mais eficiente é por meio de bisfosfonatos; tal como etidronato dissódico o qual, adsorvido pelos cristais de hidroxiapatita, desaceleram seu crescimento e reabsorção. O reduzido ritmo de renovação óssea permite que as anormalidades bioquímicas retornem ao normal.

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